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MCDONALD'S É OBRIGADO A VENDER BRINDES
Mais um exemplo claro do que é o Estado totalitário querendo se meter em assuntos que não lhe competem:
"Pressionado pelo Ministério Público Federal, o McDonald's concordou em passar a vender o brinquedo que acompanha o McLanche Feliz sem a necessidade da compra do sanduíche. A ação do Ministério Público em São Paulo ocorreu após o recebimento de reclamações de pais que se sentiam obrigados a comprar o lanche quando seus filhos queriam apenas o brinquedo. O McLanche Feliz custa hoje R$ 9,45. A rede de lanchonetes assinou um termo de ajustamento de conduta em que se compromete a implantar o novo sistema de venda dos brinquedos em até nove meses. Caso descumpra o termo, o McDonald's ficará sujeito a uma multa diária de R$ 100 mil".
Fonte: Folha Online
Pensem comigo: Se eles passarem a vender, os brinquedos deixam de ser brindes, não? E qual o problema de se comprar um McLanche Feliz para ganhar o brinde? Afinal, é uma promoção como qualquer outra (compra-se uma coisa para ganhar outra). Ninguém é obrigado a ir ao McDonald's, assim como ninguém é obrigado comer em lugar algum. Vai quem quer. Se os pais sentem-se pressionados a comprar um lanche apenas para dar o brinquedo aos filhos, das duas uma: Ou passam a educar melhor as crianças ou vão a uma loja de brinquedos.
Se isso virar moda, qualquer tentativa de aumentar as vendas oferecendo brindes aos consumidores poderá virar crime aos olhos do governo (já imaginou a Elma Chips sendo forçada a abrir suas embalagens de salgadinhos apenas porque um cretino quer comprar o "tazo" separadamente?). Se eu fosse o McDonald's, venderia os brinquedos separados a R$ 15,00 e manteria os R$ 9,45 se comprassem o lanche.
por Emílio Calil em 3/20/2006 10:46:10 PM
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19ª BIENAL DO LIVRO: ENTRE O CÉU E O INFERNO
Não tenho saído muito ultimamente. Já se somam alguns meses que não sei o que é uma sala de cinema ou teatro e nem um passeio ao Hopi Hari. Minhas incursões ao universo gastronômico de São Paulo sofreram drástica redução, resumindo-se agora a pequenas escapulidas para degustar, aqui e ali, algumas pizzas ou esfihas - que não sejam muito caras, de preferência. Tudo isso em nome do casamento! Um pequeno e temporário sacrifício para que eu possa realizar meu enlace matrimonial. Entretanto, vez ou outra me dou ao direito de gastar um pouco mais apenas para sair da rotina. Assim, no último sábado resolvi abrir mão das culinárias árabe e italiana para buscar um pouco mais de cultura. Fui visitar a 19ª Bienal do Livro.
A mídia fez seu papel de divulgação e chamou a atenção do público para os destaques da Bienal deste ano como os "menores livros do mundo", com reproduções miniaturizadas de diversas obras da literatura; livros sobre futebol (aproveitando o ano da Copa) e muitas publicações didáticas, voltadas para educadores. A princípio, o evento pareceu bastante atrativo. Assim, sábado (11/03) à tarde peguei minha noiva e fomos lá, "respirar cultura".
Chegamos por volta das 15h ao Anhembi, caminhamos um pouco e nos deparamos com uma fila assustadoramente enorme (veja a foto). A princípio, achamos que ela era apenas grande, mas, olhando com atenção, vimos que a fila sumia das vistas e dava a volta na praça e no chafariz do Anhembi - destaque para o obelisco de pedra, erigido sobre o gramado, em homenagem aos estudantes chineses que morreram na Praça Tien An Men em defesa da "democracia e do socialismo" (foto aqui). A fila era forçada a passar bem em frente ao obelisco, que traz uma incongruência na frase, pois socialismo e democracia jamais podem existir juntos. Apesar da fila enorme, estávamos de bom humor - o mesmo não posso dizer de dois sujeitos atrás de nós, que reclamavam do sol, do vento, da fila, das curvas que a fila fazia, etc. Mesmo assim, em menos de meia-hora entramos no pavilhão.
Quem viu uma exposição viu todas. E eu estive em várias - visitando ou trabalhando. Estandes coloridos, corredores agitados, barulho e muita gente. O que muda, realmente, é o conteúdo dos expositores, pois, de resto, é sempre a mesma coisa. Enfim, começamos a perambular pelas laterais e evitávamos, a princípio, os estandes mais famosos, que estavam lotados.
Caminhávamos despreocupados enquanto minha noiva procurava os tais "menores livros do mundo". Finalmente encontramos o lugar, que deveria ser o "menor estande do mundo", também. Era minúsculo e estava simplesmente entupido de interessados nos tais livretos (foto). Fiquei observando de longe, enquanto minha noiva se acotovelava para perguntar o preço: 12 reais! Nesse momento, alguém ergue um desses livrinhos, onde se lia "Bíblia Sagrada", e pergunta à vendedora "a Bíblia está toda aqui?", e ela responde "somente as partes importantes". Quais os critérios que eles usaram para saber o que é ou não importante na Bíblia permanece um mistério para mim.
Alguns metros adiante, vislumbrei aquilo que animaria o meu dia: dezenas de camisetas, livros e souvenires temáticos sobre Che Guevara. O que leva as pessoas a cultuarem um assassino terrorista está além da minha compreensão, mas a cena que saltava aos olhos era notar que o estande dedicado a Che, declaradamente comunista, beneficiava-se de práticas comercias notoriamente capitalistas como descontos, parcelamento e - a melhor parte - aceitavam Visa! É claro que registrei o momento para a posteridade bem aqui. Pois é, o capitalismo nunca deu tanto lucro para os comunistas.
Mas a propaganda socialista não parava por aí. Quase colado ao estande de Che, uma obscura editora se orgulhava de apresentar ao público a biografia de Evo Morales, presidente da Bolívia e famoso "cocalero" (foto). Isso sim é o que eu chamo de apologia às drogas (refiro-me ao livro e não apenas ao fato de Morales trabalhar com coca e ser amigo de Hugo Chavez). E a coisa ia piorando, com ensaios, biografias, teses, interpretações e teorias dos grandes "pensadores" comunistas, como podem ver aqui. É claro, o fato das ideologias saídas dessas mentes brilhantes terem causado a morte de mais de 100 milhões de pessoas (a efeito de comparação, o nazismo matou 20 milhões) era simplesmente ignorado.
Na outra metade da feira, o cenário mudava de figura. Era visível a inundação de livros religiosos e de auto-ajuda que borbulhavam por centenas de estandes. Você passava por uma prateleira de livros jurídicos para, logo a seguir, ver a bibliografia completa de Chico Xavier. Folheava algumas publicações de economia e deparava-se com as obras de Zíbia Gasparetto. Mais alguns passos e podia comprar as mensagens de felicidade do Dalai-Lama, que convidavam o leitor a uma vida melhor, enquanto as capas dos livros de Roberto Shinyashiki confirmavam que essa vida melhor era possível, desde que se mantenha estampado no rosto o sorriso da Hebe Camargo (gracinha!).
Mas o que realmente pululava entre a editoras eram os livros que pegavam carona no infame O Código Da Vinci. Os títulos não poderiam ser mais originais: Desvendando o Código Da Vinci, Desmistificando o Código..., Entendendo o Código..., etc. Seguindo essa mesma onda, alguns autores tentavam esconder-se sob camuflagens pseudo-históricas e criando pérolas como Jesus, um personagem intrigante, Jesus, o maior psicólogo que já existiu, A verdadeira história de Jesus, O Jesus histórico e mais um monte de coisas semelhantes. É provável, se eu me dispusesse a procurar, que encontrasse algum escritor que tenha publicado uma entrevista cara a cara com Jesus. Vale tudo para chamar a atenção.
Interessante notar que a Bienal estava nitidamente dividida entre comunismo e religiosidade. Considerem a seguir três frases de Vladmir Ilitch Uliánov, mundialmente conhecido como Lênin, idolatrado líder comunista: "Deus é o inimigo pessoal da sociedade comunista", "O homem que se ocupa em louvar a Deus se suja na sua própria saliva" e "É preciso combater a religião, eis o ABC do comunismo". Diante das evidências, os visitantes da Bienal estavam, literalmente, entre céu e inferno!
Saldo final: 1) fiquei com dor nas pernas depois de andar por mais de 4 horas no evento; 2) meu estômago protestou veementemente por causa de um sanduíche de salame e provolone que comi; 3) não comprei absolutamente livro nenhum porque os preços estavam iguais ou maiores do que nas livrarias comuns; 4) somando os gastos com entrada, estacionamento e lanches, eu teria economizado muito mais se fosse comer esfihas ou pizzas, além de, provavelmente, ter adquirido mais cultura do que na Bienal.
por Emílio Calil em 3/16/2006 02:17:25 AM
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DEBATA, SE NÃO DER, BATA
Nunca discuta com um idiota, as pessoas que observam podem não distinguir quem é quem. Li essa frase certa vez em algum lugar e ela jamais me saiu da cabeça. A princípio, porque é engraçada, mas, especialmente, porque é a pura verdade.
Debater com idiotas exige muito mais do que se imagina. Não é simplesmente uma questão de se dizer o que pensa e esperar que ele vá compreendê-lo, admitir os erros e levantar alguma questão que lhe tenha vindo à mente. Não, os idiotas geralmente não levantam questões, eles enterram as respostas. E enterram bem fundo.
Em tese, nós só podemos debater sobre assuntos que conhecemos - não exatamente que dominamos, mas que conhecemos em certos níveis para que um diálogo racional seja possível. Desenrolar opiniões pessoais a respeito deste ou daquele assunto é fácil e muito tentador, o famoso "eu acho" sai espontaneamente e, quando menos se espera, lá está você dizendo qual é a melhor escalação para a Seleção Brasileira na Copa, sem sequer conhecer as regras do futebol; qual o melhor hotel para se hospedar em Maceió, sem jamais ter viajado a lugar algum; quais as cores de roupa que estão na moda, sem sequer olhar as vitrines de um shopping ou, ainda, quais os pratos mais saborosos dos melhores restaurantes da cidade baseando-se apenas nas pizzas que você pede aos sábados.
Cercar-se de "achismos" é perigoso porque a pessoa acaba assumindo para si o manto da verdade incontestável e, daí para a arrogância, basta meio passo. Eu mesmo já caí nessa cilada. Existem assuntos que conheço bem, outros sobre os quais tenho uma leve opinião formada e uns terceiros cujas opções não me são outras a não ser "achar". E justamente nos assuntos que eu "achava" alguma coisa é que me punha a debater como profundo conhecedor. Mas, como o ser humano só aprende errando, depois de levar vários "tabefes", tive que reaprender minhas maneiras de argumentação e, principalmente, informar-me um pouco mais antes de querer discutir qualquer coisa. Ainda não estou livre de escorregões, mas já não passo tanta vergonha.
Mas falava dos idiotas. Recentemente participei de um debate político em um site de notícias. O propósito do debate perdeu-se nos três primeiros comentários, que já desvirtuavam a notícia original - creio que se tratava de futebol, mas isso não vem ao caso. O que acontece é que, no meio daquele qüiproquó econômico/político, os participantes dividiam-se entre os que apoiavam o governo Lula e os que criticavam. Chavões, frases feitas, lugares-comuns, tinha de tudo ali. Para jogar mais lenha na fogueira, resolvi participar da brincadeira e coloquei minhas impressões sobre o atual governo e seu desempenho. Desnecessário dizer o quanto fui atacado pelos defensores de Lula, que me chamavam de todos os adjetivos pejorativos possíveis.
Para não descer ao nível dos meus agressores, procurei informar-me na área da economia como o país tinha se saído em 2005, visto que a "boa" economia parece ser o único argumento dos petistas. Deparei-me com as notícias de que os bancos Itaú e Bradesco (bancos privados) tiveram um lucro recorde no ano passado, somando R$ 5 bilhões cada um - o que me fez lembrar das críticas a FHC, chamado de "presidente dos banqueiros", lembram? E qual não foi minha surpresa ao descobrir que o Banco Central (banco estatal) sofreu um prejuízo de R$ 10 bilhões! Imbuído de boa vontade e armado com fatos, voltei ao debate e mencionei esses números, dizendo que os bancos privados tiveram lucro enquanto o banco estatal, que usa o dinheiro do governo (nosso dinheiro) arcou com um prejuízo que soma o lucro do Itaú e do Bradesco juntos.
A princípio, os adversários argumentaram que, diferente de FHC (sic), Lula não ajudou a salvar nenhum banco. Ora, isso é verdade, mas, essa situação se aplicaria se o prejuízo fosse do Itaú ou do Bradesco, que são bancos privados e o governo não tem mesmo a obrigação de ajudar. Mas o prejuízo foi do Banco Central, ou seja, esse rombo de R$ 10 bilhões ocorreu no bolso do governo e não é uma questão de ajudar ou deixar de ajudar, mas de impedir que isso acontecesse. Ao perceberem a gafe de seus comentários, retrucaram que eu esqueci propositalmente de mencionar o lucro de R$ 2 bilhões da Caixa Econômica Federal. De fato, acabei esquecendo, mas retruquei dizendo que o lucro de R$ 2 bilhões, com o prejuízo de R$ 10 bilhões, ainda nos mantinha no vermelho em R$ 8 bilhões.
Então, sabe-se lá de onde tiraram isso, disseram que eu estava mal informado porque o Banco Central havia registrado um lucro de R$ 4,2 bilhões. Para não passar por mentiroso, mostrei-lhes este link aqui. Diante das evidências e sem poderem contra-argumentar, meus adversários me "acusaram" de ser "leitor" da Folha e também da Veja e que isso, por si só, já desqualificava minha fonte de informação - ou seja, a minha prova cabal de nada serviu para eles.
Chega a ser impressionante a forma como certas pessoas jamais admitem que estão erradas. Usam todos os argumentos possíveis e, quando estes lhes faltam, partem para agressões e acusações ridículas e sem cabimento. Jamais imaginei que seria xingado de "leitor da Folha". Se tirei algo de proveitoso desse debate, com certeza foi a descoberta de que minha paciência é maior do que imaginava, mas não é infinita. E, principalmente, percebi que gastei preciosos minutos da minha vida debatendo com idiotas a troco de nada - ou seja, o maior idiota da história fui eu mesmo. Não há nada de gratificante em debater com idiotas, você acaba se rebaixando e não aprende absolutamente nada. Eu poderia ter feito algo muito mais útil como, por exemplo, dormir.
Talvez, no futuro, eu arrisque participar de um fórum mais inteligente. Estou pensando em começar por aqui, onde os adversários parecem muito mais preparados do que os outros com quem debati.
por Emílio Calil em 3/3/2006 10:49:35 AM
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